Essa é a última parte das entrevistas com os três leitores que ganharam o prêmio de Melhores do Vinho da Prazeres da mesa. Dessa vez falo com Gilmara Vesolli, responsável por uma das cartas que recebeu o prêmio Excelência. Segue a entrevista:

Angry: Você escolheu a profissão de sommelier ou ela veio como alternativa?

Gil: Há um tempo atrás eu diria que foi alternativa, mas hoje vejo de outro modo. Queria, quando criança dar aula, fazer faculdade de Psicologia ou Filosofia, além de escrever.

Bem, hoje eu sei que encontrei tudo isso no vinho, e muito mais.

Angry: Os seus colegas de profissão tem uma história parecida com a sua?

Gil: Sim e não. A maioria começou a trabalhar com vinho quando começou a trabalhar em restaurante, como eu. Por outro lado jamais tiveram contato com o vinho antes, ao contrário de mim, que, descendente de italianos e sulista, sempre tive o vinho presente.

Me formei em Minas Gerais, então estou falando dos colegas de lá e de outros, como São Paulo e Sergipe. Provavelmente colegas de profissão do sul tenham histórias parecidas com a minha.

Angry: Para você, o que é ser sommelier no Brasil?

Gil: É desbravar floresta com faquinha de mesa!

Angry: As empresas nas quais você trabalhou te deram algum tipo de apoio para o seu crescimento?

Gil: O primeiro restaurante que trabalhei, na pequena Palmas (do Paraná, não de Tocantins!), La Bella Itália, onde ouvi pela primeira vez que cabernet sauvignon era uma uva, foi o pontapé inicial. Depois de formada, o único apoio de empresa que tive foi na Expand Minas, que investiu e acreditou no meu trabalho. Infelizmente a empresa fechou devido à crise que a importadora passou. No restante do tempo e cinco outras empresas, nenhum tipo de apoio ou incentivo, sequer moral. Infelizmente esse é um retrato comum que qualquer sommelier pode descrever.

Angry: O que o prêmio recebido pela revista representa para você?

Gil: Reconhecimento de todo o esforço, toda a luta, todas as horas de estudo. E um enorme prêmio pela dedicação e pela superação.

Angry: A quem você NÃO dedica esse prêmio?

Gil: Tenho uma lista enorme! rs

Não dedico com todo o prazer aos esnobes do vinho, sejam enólogos, enófilos, sommeliers ou professores. Quem complica o vinho, finge saber tudo a seu respeito ou o coloca como um distintivo social e cultural merece um outro prêmio: de Asno do Ano.

Não dedico a todos os avaliadores e críticos do vinho, a todos os que acreditam que o vinho possa ser qualificado por números, estrelas ou seja lá que método for, mas nunca pela pura e simples emoção. Mas principalmente, não dedico àqueles que querem transformar o vinho em coca cola.

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