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Já falei lá no Facebook sobre o prazer de ter três leitores que foram premiados pela Prazeres da Mesa. Pedi para que todos eles me concedessem uma entrevista. A prontidão com a qual todos me responderam e as respostas às perguntas me deixaram ainda mais orgulhoso por estar “próximo” a eles.

Segue a publicação da primeira entrevista, com o eleito Melhor Sommelier pela revista, Aldo Assada. Semana que vem tem a segunda, com o Diego Arrebola e na seguinte, a última, com a Gil Vesolli.

Angry: Você escolheu a profissão de sommelier ou ela veio como alternativa?

Aldo: Diria que foi um pouco de ambos pois na verdade eu não tinha foco em atuar no salão de um restaurante ou de um bar, como é o caso hoje.                             Na época em que eu decidi entrar no mercado, confesso que não sabia do que ou aonde eu queria trabalhar pois para mim o importante era trabalhar com vinhos, seja lá o que fosse mas sentia dificuldades e via muitos obstáculos. Eu vivia perguntando para alguns amigos que tinham contatos importantes e eles me ajudavam enviando meu currículo mas não conseguia sequer uma entrevista, até que um dia consegui ingressar em uma importadora de grande porte, onde trabalhei por um ano em vendas. Posteriormente fui trabalhar em um e-commerce por alguns meses e depois fiquei desempregado.

Nesse meio tempo antes de eu entrar no Bardega, eu estava pleitando a possibilidade de trabalhar com consultoria, fazendo treinamento de brigadas, degustações dirigidas, cursos e etc que é o que eu procurava no momento além de focar nos estudos para o WSET 4. Hoje, eu posso dizer que tem sido uma experiência muito positiva e muito gratificante trabalhar como sommelier diretamente no salão.

Angry: Os seus colegas de profissão tem uma história parecida com a sua?

Aldo: Talvez só um amigo meu, o Gustavo Cunha, que era violinista erudito e o hoje encontra-se como chefe de sommeliers do Adega Santiago do Shopping Cidade Jardim. Fui músico profissional por 14 anos antes de ingressar no mercado e nesse período, tudo o que eu ganhava, ao invés de investir em equipamento, eu revertia tudo em garrafas e livros sobre vinhos!                                                    Bom, hoje inverteu um pouco esse processo…ultimamente eu vinha gastando um bom dinheiro em pedais de efeitos e baixos elétricos! Hehehe

Angry: Para você, o que é ser sommelier no Brasil?

Aldo: Difícil de responder essa pergunta. A melhor maneira de responder seria citar alguns profissionais que considero o que é ser sommelier no Brasil: o Tiago Locatelli talvez seja o melhor exemplo para todos pois é um profissional extremamente competente, com alto nível de conhecimento e ao mesmo tempo exemplo de humildade e simplicidade. Outra pessoa também que merece ser citado é o Rafael Goulart, ex-Les Marais, que também possui um amplo conhecimento como o Tiago mas no caso dele, mais focado no serviço e principalmente em vendas, coisa que muitos sommeliers esquecem que uma das nossas funções é também aumentar a receita da empresa onde se trabalha.

Angry: As empresas nas quais você trabalhou te deram algum tipo de apoio para o seu crescimento?

Aldo: Para ser bem honesto, só no Bardega onde atualmente eu trabalho.

Angry: O que o prêmio recebido pela revista representa para você?

Aldo: O reconhecimento de tudo que eu estudei (e que ainda estudo) e de todo meu esforço pois para mim, como disse acima, o mais importante era poder trabalhar com vinhos. Não me importava de carregar caixas de vinho e fazer outros trabalhos não tão “louváveis”; por pior que fossem e se essa era a minha paixão, dessa paixão eu sabia que alguém observaria e bem, acho que observaram! 

Angry: A quem você NÃO dedica esse prêmio?

Aldo: Não dedicaria? Prefiro não pensar assim. Quero sim é dedicar a todos que me apoiaram: aos sócios, amigos e clientes do Bardega e principalmente a minha família e meus amigos pois sem eles, ninguém nem saberia que eu existiria.

Não preciso dizer qual deles é o Aldo, né?

Não preciso dizer qual deles é o Aldo, né?