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Primeiro:

Mantenha uma distância mínima entre as mesas de modo que os clientes possam interagir entre si e até dar palpites na conversa da mesa vizinha. Isso é socialização. Se uma garçonete engravidar e não conseguir passar entre os espaços de 15cm entre as cadeiras, ela pode roçar a barriga na nuca dos clientes.

Segundo:

Sempre tente atrair todos os públicos imagináveis. Não há nada demais em um ambiente sofisticado com pratos caros e piano de calda tocar Vivaldi na quinta, pagode na sexta e funk carioca no sábado.

Terceiro:

Troque de chef a cada seis meses e dê sempre preferência àqueles que monopolizam tudo e que jamais ensinam a equipe a sobreviver sem eles. Se o sujeito for grosseiro, prepotente e tratar mal todos os subordinados, aumente o seu salário.

Quarto:

Não beneficie sua equipe em  nada. Nada de plano de saúde, folgas extras, bônus salarial, treinamentos e elogios. Afinal de contas eles apenas fornecem a imagem do seu restaurante e o ambiente de trabalho é tranquilo, saudável e altamente propenso à socialização, de modo que é um privilégio trabalhar nesse local. Sempre que puder, deixe acumular férias e só permita que um funcionário descanse depois que ele apresentar um atestado psiquiátrico.

Quinto:

Jamais ouça seu cliente, em especial aqueles que reclamam na internet.  Mantenha-se o mais longe possível das redes sociais. Todas as reclamações são irrelevantes e há dezenas de clientes lá fora prontos para ter o prazer de comer no seu estabelecimento. Você perde um, ganha dez.

Sexto:

Jamais ouça a sua equipe. Ela só se preocupa com os privilégios e quer apenas moleza. Sem falar que é um bando de ignorantes sem formação alguma. Também é fundamental pagar pouco para essas pessoas sem estudo. Pague bem somente o chef, e isso se ele tiver nome.

Sétimo:

Quando o seu restaurante estiver super badalado, tenha certeza absoluta que ele vai continuar assim.

Oitavo:

Desleixe em relação à matéria prima. O cliente nem vai perceber a diferença entre brie e queijo coalho, de qualquer forma. Diminua o tamanho das porções à medida em que for aumentando o preço dos pratos, troque mignon por patinho amaciado no abacaxi, diga que gato é lebre e que uma rodela de abacaxi a R$14,00 é um preço justo.

Nono:

Desleixe no cuidado com o vinho. Adega climatizada é frescura e o sommelier é desnecessário. Qualquer garçom pode vender vinho e quando surgir alguma dúvida ele pode apenas enrolar, mentir ou falar besteira. O cliente hoje em dia conhece muito pouco de vinho e não tem acesso à informação rápida e eficaz.

Décimo:

Jamais tenha um único momento de incerteza ou questionamento em relação à sua administração. Aja sempre com certeza absoluta de que está fazendo o melhor. Não se informe, nem atualize, nem se especialize na área. Ser advogado te dá plenos conhecimentos sobre administração de restaurantes e você jamais vai precisar de um gastrólogo para fazer esse trabalho.

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