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Não é de hoje que se tenta padronizar. Comportamentos, opiniões, roupas, comida, ensino, cabelos e mais uma imensa lista de coisas. Se existe um padrão, existe também aquilo que é fora do padrão e portanto facilmente condenável, excluído e rejeitado. Na maioria das vezes sem culpas ou pudores. Que o digam as vítimas da presidência da Comissão de Direitos Humanos do nosso Bananil.

Nessa lista, procure pela letra “V” e perceba que o vinho também está lá. A contragosto, é claro.

O vinho é multifacetado em sua mais profunda natureza. O terroir está para o vinho como o DNA está para a formação das diversas etnias. Mexer no DNA para transformar todos em homens-adultos-heteros-brancos-de-cabelo-liso é um crime. Não vou exagerar dizendo que fazer o mesmo com o vinho é um crime idêntico, mas é também um crime. As tentativas de criar um vinho-padrão descaracterizam, desmembram, desdizem e corrompem essa bebida que só existe para ser múltipla.

Pena que tem tanta gente que faz isso, especialmente os mais influentes e poderosos. Porque será?

Michel Rolland e Robert Parker talvez sejam os maiores representantes do desmilagre que anda transformando vinho em coca cola enquanto Jesus se revira no céu.

No mundo do vinho eles são como Marco Feliciano, para quem existe apenas uma verdade, baseada em princípios no mínimo duvidosos. Estão os três no lugar errado, evidentemente.  São aberrações com enorme poder de influência sob aqueles que, ou compartilham dos mesmos princípios, ou são ovelhas dóceis prontas para o abate.

Me preocupo mais com as ovelhas que com os seus pastores. É somente através e por causa delas que a multiplicidade rareia. Por isso me assustei mais uma vez com a iniciativa de alguns sommeliers-ovelhas que criaram mais um de tantos e tantos selos para o vinho. Um selo assim depende de algum tipo de padronização. Isso me soa tão bizarro quanto um selo de qualidade para as pessoas e sempre me deixa espantado.

Ora, senhores, pelo amor de Baco, deixem o vinho e as pessoas serem quem são em paz!

Esse texto foi escrito “a vinte dedos”, na companhia virtual da leitora Gil Vesoli, sommelière-lilith, jamais ovelha.

coca cola