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Um leitor me enviou essa notícia e pediu para que eu a comentasse. Na certa ele previu que eu estava tendo um dia tranquilo e fez isso por puro sadismo.

Aí está o link pro desgosto: DESGOSTO.

Dá vontade de desistir de ler já no primeiro parágrafo que sai com essa:

“Refrescantes, os vinhos rosés são uma boa opção para os dias quentes do verão. No entanto, os rótulos mais consumidos pelos paulistanos estão longe da excelência”

SIC, SIC, SIC!

Aí temos um incentivo ao consumo de rosés seguido de um desincentivo, seguido de um alerta sensacionalista.

Pára tudo! Quero saber em que mundo os vinhos mais consumidos são aqueles que estejam dentro do padrão de excelência. E, mais ainda, desejo muito saber quem define a excelência dos vinhos.

“As principais características negativas apontadas por cinco especialistas foram a falta de acidez e a presença desequilibrada de álcool, amargor e açúcar.Eles observaram também que algumas bebidas remetem a sabores artificiais”.

Sério? Falta de acidez, desequilíbrio de álcool, amargor e açúcar?

A reportagem não fala de padrão? Pois então, aí está um padrão! Acredite, caro jornalista, a tendência é essa mesmo de vinho docin, facin, e com a acidez de um figo.

Quanto aos sabores (sabor é a junção de gosto e aroma) artificiais, nem sei por onde começar. Talvez devesse falar sobre o tipo de comentário que inevitavelmente surge durante uma degustação de “especialistas”. Aromas de tutti frutti, morango, frutas vermelhas, pé direito de rinoceronte.

Os iniciantes são levados a acreditar em cestas de frutas, navios de especiarias e na Incrível Fábrica de Chocolates dentro das garrafas de vinho. Logo, vinho assim vende muito, logo os produtores buscam formas de tornar seu vinho vendável. Logo, porque o estranhamento?

Depois disso tudo a Folha de São Paulo (vou ter que perder a piada e evitar chamar de Falha. Vai que fecham meu blog) ainda faz um confronto com os produtores que produzem os vinhos não excelentes. No melhor estilo “Extra! Extra! Consumidor encontra par de meias dentro de frasco de Yakult!”

Não bastasse isso, ainda dizem como o vinho deve ser. E não se abstiveram sequer de mencionar a cor de casca de cebola. Ai minha gastrite.

Que jornalismo é esse, meu deus Baco? Não consegui entender qual foi a intenção da matéria, no fim das contas. Mas minha intuição me diz que impacto, sensacionalismo e promoção estão escritos nas entrelinhas.

falha