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O amor, ah o amor! Sentimento tão puro, tão bonito, tão tão… insuportável em restaurantes!

Entra o casal de pombinhos e escolhe uma mesa impecavelmente organizada com o aparato completo de serviço à francesa. Só o guardanapo levou mais tempo para ser dobrado que um origami de centopéia.

Mas é claro que os apaixonados não querem sentar um em frente a outro, como a Glória Kalil ensinou. Querem ficar “juntinhos”, mesmo que isso signifique amontoar os pratos, talheres e taças, desafiando a lei da Física que diz que dois corpos não ocupam o mesmo espaço.

Na hora de escolher o vinho, lá vão eles pra adega. E lá ficam pelo menos 40 minutos de mãos dadas, trocando afagos e frases de “escolhe você”, “não, escolhe você”. Quando os gração já serviram pipoca pra todo mundo da fila que se formou em frente à adega é que o casal decide beber “o vinho docinho que ela gosta”. “Ririri”.

Serei justo. Os casais que já não se suportam também fazem isso. Sem a parte do afago. E com as frases ditas em outro tom. E com um “hunf” no final. E depois passam pela fila e derrubam sacos de pipoca.

A demora na escolha dos pratos por um casal apaixonado já permitiu que mais de um garçom fosse pra casa perguntar pra mulher se eles já tinham se comportado de maneira tão idiota. E voltar a tempo de apresentar um atestado médico isentando-o do trabalho em todos os próximos dias dos namorados dessa encarnação.

Depois dos pratos (salada e um bruto pedaço de carne) serem pedidos, para alívio do mancebo que já roía as unhas dos pés, vem a conversa sobre a luz.

Ah, a conversa sobre a luz! Casais apaixonados sempre pedem para diminuir a intensidade da luz mesmo que a CPLF já tenha levado até o marcador. Mesmo que o Breu esteja sentado na mesa ao lado. Mesmo que eles tenham escolhido a mesa no Lado Escuro do Restaurante.

Garsson já desapareceu do trabalho durante semanas. Morto? Não! estava se escondendo no Lado Escuro do Restaurante pra não polir as taças.

Mas nunca uma mesa é escura o suficiente para casais enamorados. Eles pediriam para apagar um buraco negro.

Eras se passam. Dá até tempo do garcebo evoluir (mas nunca o suficiente) antes que o casal peça a conta e poupe o pobre-diabo-que-estudou-para-ha-ha-ha-não-me-mate-de-rir-trabalhar-em-restaurante de morrer comido pelos próprios ácidos estomacais. Sim, eu mermo.

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